quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sensação de impotência...

Hoje faz sete meses que estou na Espanha, meu texto aqui seria outro, inclusive já tinha começado a escrever, mas por acontecimentos alheios a minha vontade, mudei o que ia escrever...


Carta aberta de despedida

Vô,

Esse momento está sendo muito difícil pra mim, a despedida dói, ainda mais dessa maneira, à distância. Fico triste por não poder me despedir de você, por não poder te ver uma última vez...
Sei que pra você as coisas não iam bem, você já não demonstrava mais forças para lutar ou vontade de estar aqui entre nós. Mas não podemos ser egoístas e reclamar disso, era você quem sofria, por que sermos injustos e forçar-te a permanecer aqui?
Não quero com isso dizer que a morte é uma coisa boa, só quero dizer, mesmo com um aperto no coração, que sei que isso foi o melhor pra você e, como todos dizem, você descansou.
Sim, descansou! Eu sei disso! Descansou depois de viver uma vida exemplar, depois de conviver e lutar contra um câncer que insistia em te castigar.
Quando eu fecho meus olhos, me lembro de tanta coisa, lembro das férias de julho em Curitiba, que você nos levava pra cima e pra baixo naquele Del Rey dourado, nos fliperamas do shopping Müeller, nos levava pra comer rosquinhas recheadas de doce de leite no shopping Água Verde, passear no Jardim Botânico, no Passeio Público, no Parque Barigui e até nos deixava brincar no teu consultório...
Me lembro dos cafés da manhã que você preparava, sempre com um copo de nescau e um pedaço de bolo, me lembro das histórias que você contava, das brincadeiras que fazia, me lembro dos almoços em família, dos Natais, dos “dinheirinhos” sempre bem vindos, dos presentes, das vezes que você e a vó foram pra Foz...
São tantas coisas! Lembro também do dia em que eu te falei que ia fazer o meu projeto final da faculdade contando um pouco da tua história e lembro do orgulho que eu tive de contar pra todo mundo o quão importante você foi (e sempre vai ser).
Outra coisa que não posso esquecer é das batalhas que você venceu, na profissão e na vida, as doenças, as cirurgias, os internamentos. Nessa última você foi derrotado, mas isso não te desmerece, pois essa batalha realmente era muito difícil e você já não tinha tantas forças pra lutar.
Sabe, nesses sete meses que estou aqui pensei muito em você e na vó, cada lugar novo que eu conheci, ficava imaginando as viagens que vocês fizeram por esse mundo. Desde que eu vim pra cá, nós só nos falamos duas vezes, sinto muito por isso, mas tenha certeza que não vou esquecer da tua carinha na tela do computador no dia do Natal me desejando sorte e força pra continuar aqui.
Queria ter podido te dizer essas coisas, mas eu sei que no fundo você sabia de tudo isso e que mesmo com toda a tua cerimônia e humildade, você conhecia a tua importância na vida de todos que te cercavam, sendo familiares, amigos, colegas de profissão ou alunos...

Um homem, um médico, um vô, um lutador, um exemplo!!

Adeus! E que os anjinhos te acompanhem...


Momentos que não serão esquecidos...

(clicando na foto ela aparece maior)

4 comentários:

Unknown disse...

Lindas palavras amiga!Com certeza ele sabia de tudo isso.Vc era e é uma super neta!O céu está cada dia mais cheio de estrelas especiais!Amo vc irmãzinha!Fique com Deus aí!

Brown Eyed Girl disse...

eita, até eu chorei aqui.
Todos nós vamos embora um dia. Se Deus achou que essa era a hora do seu vô, só se pode rezar por ele e agradecer o tempo de convivência que você teve de presente... as pessoas nunca morrem quando são lembradas com carinho e amor, como tenho a certeza de que vc vai se lembrar dele.

beijos e força!!

Roddrigo disse...

que texto hein! bj!RO

Unknown disse...

Sinto muito pelo seu avô, mas com certeza ele cumpriu sua missão por aqui com muita honradez, foi brilhante na sua passagem!
Um grande beijo! Zé